O Grande Truque da Limpeza de Sexta-feira
— "Não! Brinquedos de novo, não!" — reclamou Nina, olhando para a bagunça que cobria o chão do quarto. Era sexta-feira à noite, e o reino mágico que ela criara durante a semana (com direito a castelos de blocos, ferrovias de madeira e uma floresta de bichos de pelúcia) precisava ser desfeito antes do jantar.
A avó Naná apareceu na porta, com seu sorriso de algodão-doce. — "Parece que a Vila das Cores foi atingida por um tornado de diversão!" — disse ela, rindo.
Nina cruzou os braços e suspirou, sentindo a preguiça de sexta-feira pesar. Foi então que se lembrou dos vidrinhos. Ela correu até a cômoda e pegou o frasco de Magia do Tempo, aquele que a ajudara a escovar os dentes cantando. Mas ele estava vazio.
— "Não tem mais pó, vovó! Como eu vou guardar tudo isso?"
A avó Naná entrou no quarto e pegou a grande caixa de brinquedos, que parecia um baú de madeira velha. — "Nina, você esqueceu o segredo? A magia está no seu olhar. E hoje, nós vamos usar a maior de todas: a Magia do Disfarce."
Vovó Naná tocou a ponta do nariz de Nina com o dedo, e a transformação começou na imaginação da garotinha.
O Grande Desfile da Arrumação
De repente, o quarto de Nina não era mais um quarto bagunçado. Era um grande porto espacial, e o baú de brinquedos era a Nave-Mãe Galáctica.
"Atenção, Capitã Nina! Os blocos de montar são cubos de energia instáveis. Eles precisam ser transportados para a Nave-Mãe antes que explodam!"
Nina, agora vestindo sua armadura de capitã espacial (na verdade, seu pijama estrelado), pegou os blocos, não mais um por um, mas em punhados rápidos, depositando-os no baú com cuidado.
"A estação de ferrovias foi desativada! Os trens precisam ser recolhidos para manutenção!"
Ela desmontou a pista de madeira, empilhando as peças perfeitamente na caixa, imaginando que eram peças de uma espaçonave.
A Missão do Resgate
Mas o maior desafio ainda estava lá: os bichos de pelúcia. Eles estavam espalhados por todo o quarto, como se tivessem tido uma festa selvagem.
A aranha Tatá estava pendurada em uma luminária.
O grilo Sol-lá-si estava escondido atrás da cortina.
E o pequeno dragão de pelúcia, o favorito de Nina, estava deitado de barriga para cima perto da porta.
"Alerta vermelho, Capitã Nina! Os alienígenas fofos foram deixados para trás na superfície do planeta! Sua missão é resgatá-los e trazê-los em segurança para a Nave-Mãe!"
Nina começou o resgate. Ela pegou o dragão, aninhando-o no braço. — "Não se preocupe, amiguinho. Você está seguro agora."
Ela recolheu a aranha Tatá, o grilo, e todos os outros bichos, colocando-os delicadamente no topo da caixa, que agora estava cheia.
O Fim da Missão
Quando o último brinquedo foi guardado, o quarto de Nina parecia vasto e limpo, banhado pela luz suave do luar que entrava pela janela. A Nave-Mãe (o baú de madeira) estava fechada, com o dragão de pelúcia sentado em cima, como um sentinela.
Vovó Naná reapareceu, com duas canecas de chocolate quente. — "Excelente trabalho, Capitã Nina. Missão cumprida com sucesso."
Nina olhou para o quarto limpo e sorriu. Ela não se sentia cansada, mas sim orgulhosa. Guardar os brinquedos não fora uma tarefa chata, fora uma grande aventura.
— "A senhora tem razão, vovó" — disse ela, pegando sua caneca. — "A magia do dia a dia é muito mais divertida quando a gente inventa a nossa própria história."

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