Era uma vez, em um lugar onde as estrelas parecem estar ao alcance da mão, um pequeno vilarejo chamado Vale do Sussurro. Lá, as casas eram feitas de troncos antigos e os telhados eram cobertos por musgo que brilhava suavemente quando a lua surgia.
Nesse vale vivia Alya, uma criatura feita de luz e curiosidade, que tinha a tarefa de recolher os sonhos das crianças para que eles não se perdessem durante a noite.
Uma noite, Alya percebeu que um dos sonhos mais bonitos — o sonho de uma menina chamada Sofia — tinha escapado de sua caixinha de veludo. Era um sonho sobre uma Floresta de Algodão-Doce, onde as nuvens eram feitas de suspiros e os rios de calda de estrela.
Alya, sentindo o peso da responsabilidade, partiu em sua jornada. Ele voou sobre colinas que pareciam grandes almofadas de veludo e passou por riachos que cantavam canções de ninar.
No caminho,Alya encontrou o Velho Corujão, que cuidava da passagem do tempo. O Corujão, com seus óculos feitos de orvalho, apontou para o topo da montanha mais alta. "O sonho de Sofia está lá, descansando nas asas da Brisa Noturna", disse ele com uma voz que parecia o roçar de folhas secas.
Alya subiu a montanha, cada passo um pouco mais leve, até que seus pés quase flutuavam. Lá em cima, ele viu a Brisa, uma névoa prateada e gentil, embalando o sonho como se fosse uma joia preciosa.
"Por favor," sussurrou Alya "a pequena Sofia precisa do seu sonho para descansar."
A Brisa sorriu em silêncio e soltou o pequeno brilho, que flutuou suavemente em direção às mãos de Alya. O sonho, agora em segurança, parecia pulsar com cores de arco-íris noturno: azul profundo, lilás e dourado.
Alya voou de volta ao quarto de Sofia. Ele deslizou pela fresta da janela e deixou o sonho repousar levemente sobre as pálpebras da menina. No mesmo instante, Sofia suspirou, virou-se para o lado e começou a sorrir enquanto entrava na Floresta de Algodão-Doce.
Alya, exausto, sentou-se na moldura da janela. Sua luz diminuiu até se tornar uma pequena lanterna apagada. Ele também estava pronto para descansar, sabendo que, enquanto o mundo dorme, os sonhos estão sempre protegidos por aqueles que amam a magia da noite.
E assim, o silêncio do Vale do Sussurro abraçou a todos, convidando o mundo inteiro a fechar os olhos e encontrar o seu próprio caminho até a Floresta de Algodão-Doce.
Durma bem. A noite está apenas começando.

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