Tudo no seu tempo
Era uma vez, em um vale escondido entre montanhas coloridas, um pequeno vilarejo onde as estrelas não brilhavam apenas no céu — elas também nasciam nas mãos das crianças.
Lia era uma menina curiosa, com olhos atentos e uma risada leve como vento. Diferente das outras crianças, porém, ela nunca havia conseguido criar sua própria estrela. Enquanto seus amigos enchiam o céu noturno com pontos luminosos feitos de sonhos e risadas, as mãos de Lia permaneciam vazias.
Determinada a entender o porquê, Lia decidiu procurar a Velha Árvore de Luz, uma árvore mágica que, segundo as histórias, conhecia todos os segredos do mundo.
Após uma longa caminhada pela floresta cintilante — onde cogumelos brilhavam e pequenos animais falavam em sussurros — Lia finalmente encontrou a árvore. Seu tronco era enorme e reluzia como prata sob o luar.
— Por que eu não consigo criar estrelas? — perguntou Lia, com o coração apertado.
A árvore demorou a responder. Suas folhas tilintaram suavemente, como sinos.
— Porque você ainda não descobriu o seu brilho — disse ela. — Nem todas as estrelas nascem da mesma forma.
Confusa, Lia voltou para casa. Nos dias seguintes, começou a observar mais o mundo ao seu redor. Ajudou um pássaro com a asa machucada, contou histórias para uma criança triste e plantou flores no jardim de uma vizinha idosa.
E então, numa noite tranquila, algo diferente aconteceu.
Enquanto ria ao lembrar das histórias que contou, uma luz suave surgiu em suas mãos. Não era brilhante como as outras estrelas — era quente, pulsante, viva.
Era a estrela de Lia.
Ela correu para fora e a lançou ao céu. Sua estrela não apenas iluminava — ela mudava de cor, dançava e parecia abraçar as outras ao redor.
Naquele momento, Lia entendeu: seu brilho vinha das coisas que fazia pelos outros.
E assim, o céu do vale nunca mais foi o mesmo — porque agora havia uma estrela especial, que lembrava a todos que existem muitos tipos de luz… e todas elas são importantes.
E fim. ✨
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